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Há 30 anos atrás...
Carta ao Tom 74
(Vinícius de Moraes)
Rua Nascimento Silva, cento e sete,
Você ensinando para Elizete
As canções da canção do amor demais.
Lembra que tempo feliz, ah! Que saudade,
Ipanema era só felicidade,
Era como se o amor doesse em paz.
Mas a famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho do céu e o Redentor
É meu amigo só resta uma certeza:
É preciso acabar com essa tristeza,
É preciso inventar de novo o amor.
30 anos depois...
Carta ao Tom 2004
(Pássaro Distante, que me perdoem a ousadia)
Lua que, entre o meu sol, se intromete
E, para os meus sonhos, cobra frete
Com receio de vôos especiais,
Esses que levam meu corpo, com vaidade,
Para junto da tal eternidade
Onde brilha Vinícius de Moraes.
Mas o famoso poeta não queria
Afastar a letra da melodia
Desse Tom que a estrela não esqueceu.
Lembrando os sons e as cores de aquarela,
Escondendo a tristeza dessa tela
Encobrindo-a num véu ou cobertor.
É meu amigo, perante a gentileza
Do poeta amado, nesta mesa
É preciso lembrar o seu valor.
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