Autor: Pássaro Distante

Sol que mostra a face
À face desta Terra
E que, sem pedir passe,
Neste Novembro aterra.

Sol que traz calmaria
Ao mar que prolifera
E em cuja maresia
Meu vento desespera.

Sol invasor dum quarto,
Dum carro e gabinete
No qual tanto me farto
De viver cada falsete.

Sol que brilharia
Num espírito ausente
Dum corpo que mentia
De forma incoerente.

Sol que aproveita
Saudades do futuro
Ou Verão que mal aceita
As cinzas dum escuro.

Sol que não sublinha
Calor num corpo frio
Provocando na espinha
O mal de um arrepio.

Sol que atormenta
A leitura dum livro
Ou de qualquer sebenta
Que anota o que me privo.

Sol que poderia
Ser tu, perfeitamente,
Não fosse a luz do dia
Ferir-me no presente.

Sol que não permite
As sombras no teu ser
E que, porém, omite
A dor de te perder.

Sol que não se importa
De dar o brilho à Lua
Que abre a minha porta
Quando te sinto nua.

Sol que, por acaso,
Musica o meu vício
Alongando o ocaso
Por mando do armistício.


E-mail do autor: passarodistante@hotmail.com



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