Autor: Pássaro Distante



Não te posso prometer as luas cheias
Preenchidas com tão nobres sentimentos
Com palavras e com sons dessas colcheias
Destinadas a cantar os meus lamentos.

Não te posso prometer a minha estrada
- Ora larga, ora densa, ora estreita -
Com trechos de via inacabada
E de recta que tem pouco de direita.

Não te posso prometer esta levada
Que se alarga, que se ajusta, que se ajeita
Aos passos de tão tensa caminhada
E aos olhos de quem passa e não suspeita.

Não te posso prometer a luz celeste
Como ponte para o rio dum Além.
Quando muito tens o meu fruto silvestre
Inundado de agruras que não valem.

Não te posso prometer o meu amor:
Volúvel, volátil e sorrateiro.
Ou instável como um grande elevador
Que dum projecto fez caixão e travesseiro.

Não te posso prometer a madrugada
Tão pouco o renascer da tua vida
Que, um dia, julgaras predestinada
Até hoje, em que a dás como perdida.

Não te posso prometer a vida errante
Só porque da tua estás fatigada.
Nos teus sonhos serei mero viajante
A quem negas partilhar a almofada.

Não te posso prometer o belo poema
Encharcado de negrume e de ilusão
Inundando por completo o melhor tema
Residente neste triste coração.

Não te posso prometer ser regular
Nos gestos, silêncios e atitudes...
Sou um pássaro aprendendo a esvoaçar
Em ventos de inconstantes quietudes.

Não te posso prometer a luz do dia
Em que pretendes regular e cumpridor
Um espírito eivado de euforia
Que rejeita congelar o seu calor.

Não te posso prometer o pôr-do-sol
Encravado nestes olhos de cansaço:
Confundindo esse astro com um farol;
Caminhando no rumo do embaraço.

Não te posso prometer a minha estrela,
Parceira infiel de caminhada.
Foram anos e anos sem poder vê-la
Ao ponto de ficar desacreditada.

Não te posso prometer esta pessoa
Mesmo que te apoderes da carcaça.
Minha alma muito pouco tem de boa
E muito menos terá a sua graça.

Não te posso prometer minha verdade.
Receio que te sintas ultrajada.
Carrego-a para a tal eternidade
Para que nunca seja revelada.

Não te posso prometer fidelidade
Do meu espírito, alma ou matéria
Infinito de horizonte onde não cabe
A regra de cidade pouco séria.

E-mail do autor: passarodistante@hotmail.com



  Clique na figura e
envie sua mensagem


O envio que chega rapidinho !!!

Direitos autorais registrados®
Página melhor visualizada
em Internet Explorer 4.0 ou Superior
800 X 600 



Imagem by Haydee