

Autor:
Pássaro
Distante (Portugal)

À minha filha, Maria Leonor... que ainda vai nascer

Ah!
Leonor chegou a hora
De "sair daí para fora"
E ver a tua feição.
Não,
Não quero que te apoquentes
Estaremos sempre presentes
Junto ao teu coração.
Ah!
Minha filha linda e boa
Este pai andava à toa:
Eu até a Deus rezei.
Eu,
Acredito nas agruras,
Duma vida feita às escuras
Para dizer que não errei.
Ah!
Minha filha se pudesses
Saber como tu aqueces
Este coração que é teu.
Se,
Tu visses daí, de dentro,
Todo o meu contentamento
Como feliz ando eu.
Se,
Eu soubesse que já viste
Que teu pai não está mais triste
Nem sequer foge dos seus.
Ah!
Minha filha saberias
A que braços rumarias
Para ver estrelas nos céus?



(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

Ah!
Meu amor não vá embora,
Vê a vida como chora
Vê que triste esta canção.
Não,
Eu te peço não te ausentes
Porque a dor que agora sentes
Só se esquece no perdão.
Ah!
Minha amada me perdoa
Pois embora ainda te doa
A tristeza que causei.
Eu,
Te suplico não destruas
Tantas coisas que são tuas
Por um mal que eu já paguei.
Ah!
Minha amada se soubesses
Da tristeza que há nas preces
Que a chorar te faço eu.
Se,
Tu soubesses um momento
Todo o arrependimento
Como tudo entristeceu.
Se
Tu soubesses como é triste
Eu saber que tu partiste
Sem sequer dizer adeus.
Ah!
Meu amor tu voltarias
E de novo cairias
A chorar nos braços meus?

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